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Foto por liquor.com. Não consigo ficar sem quebrar minhas taças...

Foto por liquor.com. Não consigo ficar sem quebrar minhas taças…

Continuamos hoje o Projeto Coqueteis Clássicos com um coquetel ainda nas linhas do Old Fashioned.
O Manhattan surgiu no sec.19 quando os bartenders americanos conheceram o vermute.

Trocando o açúcar de um Old Fashioned por vermute doce criou-se o Manhattan.
De todas as histórias que permeiam a criação deste clássico, a que mais confio é a escrita no livro Valentine’s Manual of New York de 1923 que transcreve o relato de um bartender sobre a criação deste coquetel.

O bartender William F. Mulhall que trabalhou em NYC em 1880 conta que o coquetel foi “inventado por um homem chamado Black” em 1860.

Entre histórias de bebados e histórias de bartenders, prefiro confiar mais nos bartenders.

Ao contrário do icônico Dry Martini, também servido em taça coquetel, o Manhattan manteve sua receita praticamente inalterada até os dias de hoje, principalmente, sem perder o ingrediente definidor da classe dos cocktails: o bitter.

1. DEFINIÇÃO:

Temos então a definição de um Manhattan:

1. Destilado;

2. Vermute;

3. Bitters;

4. Servido em taça coquetel.

2. INGREDIENTES:

1. Destilado: o que se espera deste coquetel é um Whiskey Americano, em geral um Bourbon, marcas disponíveis no Brasil são: Wild Turkey, Evans Williams, Jim Beam e Jack Daniel’s. Um bourbon mais envelhecido ou um whiskey de centeio (Rye) também cabem, mas não são os mais acessíveis para compra;

2. Vermute: É um vinho aromatizado e fortificado, mantenha refrigerado após aberto e consuma em até um mês. Espera-se um vermute doce, algumas marcas facilmente disponíveis: Martini & Rossi (Rosso), Cinzano(Rosso), Carpano (Antica & Punt e Mes);

3. Bitters: uma bebida amarga e aromática feita por infusão de diversas ervas, especiarias e cascas amargas em álcool. Serve para adicionar complexidade e ligar as camadas de sabor presentes em um coquetel, a marca mais conhecida e acessível no Brasil é a Angostura. É a bebida que diferenciava o cocktail de outras bebidas mistas.

5. Taça coquetel: sirva sempre em uma taça previamente resfriada. Por não levar gelo o Manhattan requer uma diluição e temperatura exatas ao ser servido. Não é um coquetel que perdoe uma má técnica como o Old Fashioned, por exemplo.

Taça sendo resfriada e mixing glass cheio de gelo!

Taça sendo resfriada e mixing glass cheio de gelo!

3. Receita

Manhattan

3 partes* de Bourbon (Jim Beam white)

1 parte de Vermute Doce (M&R Rosso)

1 dash** de Angostura Orange

2 dashes de Angostura Aromatic

Adicione os ingredientes a um mixing glass(ver foto acima), encha o mixing glass de gelo e mexa*** por bons 30 segundos.

Coe**** para a taça previamente resfriada.

Decore como seu cliente preferir, uma cereja ou um twist. Eu prefiro sem enfeites, o coquetel já tem um aroma bem interessante.

4. Considerações Finais

Note que especifiquei marcas nesta receita, como disse, este é um coquetel que requer muitas habilidades de um bartender.

Conhecer seu destilado base e como complementá-lo com um certo vermute é um grande desafio deste coquetel. Sugiro que você comece com a marca de destilado utilizado em seu bar e procure um vermute e uma proporção de destilado para vermute que funcione e anote esta receita.

Repare a proporção de 3 partes de whiskey para 1 parte de vermute.
As próximas receitas usarão “partes”, adapte para a dose que você necessita de usar do destilado e adapte também o tamanho do copo de acordo com seu rendimento final da receita.

Uma técnica muito importante e nem sempre bem executada é a de mexer.
Coqueteis que possuem apenas bebidas alcoólicas são mexidos.
Uma boa técnica gera um coquetel translucido, com uma boa textura. Tente ser o mais silencioso possível ao mexer um coquetel e selecione os melhores gelos disponíveis, cubos inteiros.

Espero que este artigo sirva para entusiastas, iniciantes e profissionais mais vividos.

Os coqueteis clássicos são a base para outros coqueteis e é de suma importância a compreensão dos conceitos e técnicas básicas para se fazer bons coqueteis.

Um clássico bem executado reflete um bartender consciente e com domínio da coquetelaria.

Saúde!

*Parte: Considerei uma parte como sendo 15mL, o que daria uma dose de Bourbon de 45mL, o que ocorre em muitos bares do Brasil.
Esta receita funciona muito bem até quando o coquetel está menos gelado, lá para o meio do copo, fique à vontade para utilizar uma parte tão grande quanto 25mL…
Utilizar partes na receita também facilita muito para quem quer fazer em casa. Pegue um copo reto, coloque um dedo de bebida como sua parte😉

** Para fazer um dash, vire a garrafa 90°. Em geral, 2 dashes correspondem a 1mL

***Veja como fazer o stir (mexida) perfeito: https://www.youtube.com/watch?v=wA1BpjEtDRs Treine a técnica com água…

****Coagem: No caso de coqueteis mexidos é utilizado um Julep streiner, caso você vá utilizar um Hawthorne verifique se a mola está limpa e sem requícios de frutas.
Se sua técnica de mexer for perfeita e o seu gelo bem escolhido não haverá cristais de gelo sobre seu coquetel.