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Cliche

Cliche é : Falar de James Bond neste momento.

Continuando a evolução da coquetelaria, após o marco que é o acrescimo de vermute nas bebidas, seguem-se diversas variações que culminam no Dry Martini.

Contudo, ao contrário do Manhattan, o Dry Martini é uma série de modificações sobre uma receita base que culminam, nos anos 1980 com o Martini de Salvatore Calabrese no Hotel Dukes sendo nada mais do que uma dose congelada de gin ou vodka.

O que o Cocktail Maestro (Salvatore) fez foi o que todo bartender deve fazer, atender os desejos do seu cliente/convidado. Mas, eu não chamo uma dose congelada de destilado servida com um enfeite de coquetel, muito menos de Dry Martini.

Outros Martinis tão polêmicos quanto, seriam os de Bernad DeVoto, Winston Churchill e James Bond.

1. DEFINIÇÃO:

A definição de um Martini é:

1. Gin;

2. Vermute;

3. Servido em taça coquetel.

2. INGREDIENTES:

1. Gin: Nada de Vodka. Um bom London Dry Gin é totalmente satifatório, tente também com outros estilos, se encontrar, mas não recomendo os novos gins que não contêm zimbro. Ainda estou para conhecer um bom Gin nacional. Boas marcas do mercado são: Bombay, Hendricks, Tanqueray e Beefeater;

2. Vermute: É um vinho aromatizado e fortificado, mantenha refrigerado após aberto e consuma em até um mês. Espera-se um vermute seco, algumas marcas facilmente disponíveis: Martini & Rossi (Dry), Cinzano (Dry), Noilly Prat (Dry);

3. Taça coquetel: sirva sempre em uma taça previamente resfriada. Por não levar gelo o Martini requer uma diluição e temperatura exatas ao ser servido. Não é um coquetel que perdoe uma má técnica como o Old Fashioned, por exemplo.

tanq-martini

Um belo e límpido Dry Martini com a icônica azeitona.

3. TÉCNICA (e receita)

Dry Martini

4 partes* de London Dry Gin

1 parte de Vermute Seco

zest** de limão siciliano

garnish: 3 azeitonas sem caroço

Adicione os ingredientes, inclusive o zest, a um mixing glass, encha o mixing glass de gelo e mexa*** por bons 30 segundos.

Coe**** para a taça previamente resfriada.

Decore com azeitonas no palito.

4. Considerações Finais

Experimente com seu Gin favorito, esta receita funciona bem com diversas marcas.

Caso você ache a receita muito alcoólica, diminua sua dose de Gin.

O zest de limão é um toque sutil que valoriza muito bem as notas cítricas presentes em muitos gins, alêm de agregar notas sutis ao aroma do coquetel.

A azeitona por sua vez é o garnish icônico, qualquer pessoal que nunca bebeu saberá o que você esta servindo.

Repare a proporção de 4 partes de gin para 1 parte de vermute.
As próximas receitas usarão “partes”, adapte para a dose que você necessita de usar do destilado e adapte também o tamanho do copo de acordo com seu rendimento final da receita.

Uma técnica muito importante e nem sempre bem executada é a de mexer.
Coqueteis que possuem apenas bebidas alcoólicas são mexidos.
Uma boa técnica gera um coquetel translucido, com uma boa textura. Tente ser o mais silencioso possível ao mexer um coquetel e selecione os melhores gelos disponíveis, cubos inteiros.

Martinis batidos apresentam uma consistência fina e o vermute tende a segurar as bolhas formadas durante o shake, deixando a aparência turva.

Se seu martini for em uma proporção maior do que 10:1 sinta-se a vontade para batê-lo, mas experimente a minha receita antes.

O vermute seco apresenta, em geral, notas vegetais e herbais que casam muito bem com o gin. Já o vermute doce por sua vez apresenta, em geral, notas de laranja e especiarias que vão bem com destilados envelhecidos.

Espero que este artigo sirva para entusiastas, iniciantes e profissionais mais vividos.

Os coqueteis clássicos são a base para outros coqueteis e é de suma importância a compreensão dos conceitos e técnicas básicas para se fazer bons coqueteis.

Um clássico bem executado reflete um bartender consciente e com domínio da coquetelaria.

Saúde!

*Parte: Considerei uma parte como sendo 15mL, o que daria uma dose de Gin de 60mL, a dose de muitos bares do Brasil.
Devido à potência alcoólica deste coquetel sirva-o o mais gelado e curto possível, o calor do Brasil é muito forte e beber bebida alcoólica quente é desagradável.
Utilizar partes na receita também facilita muito para quem quer fazer em casa. Pegue um copo reto, coloque um dedo de bebida como sua parte 😉

** Veja como fazer um zest e utilizá-lo: https://www.youtube.com/watch?v=PZuhSnkx5xs

***Veja como fazer o stir (mexida) perfeito: https://www.youtube.com/watch?v=wA1BpjEtDRs Treine a técnica com água…

****Coagem: No caso de coqueteis mexidos é utilizado um Julep streiner, caso você vá utilizar um Hawthorne verifique se a mola está limpa e sem requícios de frutas.
Se sua técnica de mexer for perfeita e o seu gelo bem escolhido não haverá cristais de gelo sobre seu coquetel.