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Foto: Martha Holmberg

Este texto é uma tradução de um artigo publicado por gaz regan.
Acredito que é um bom resumo para toda minha série sobre coqueteis clássicos.
Além de pavimentar argumentações futuras.

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Frequentemente recebo emails de bartender chateados quando veem alguém executando um coquetel específico com uma receita própria, ao invés da receita original.

Recentemente um bartender me disse que não suportava quem fazia Mai Tais com outros rums que não fossem da marca que Trader Vic utilizou para criar o coquetel: Wray & Nephew.

“Espero que você utilize o 17 anos”, foi a minha resposta.
Era este o utilizado para a receita original e o único lugar que você pode encontrá-lo atualmente é no Merchant Hotel de Belfast. Um Mai Tai feito ali com este rum custará 450 libras esterlinas.

Não há muito tempo ouvi de outro bartender que um Negroni que não fosse feito com partes iguais não era um Negroni. Insisto em discordar.

Já tratei com este assunto tantas vezes que estou cansado dele, mas estou convencido que sou um dos poucos fartos, então digo novamente:

Primeiro, não existe uma agencia regulamentando nomes, receitas e outros. Além disto acredito que estariamos nos fazendo um favor em buscar o caminho junto ao mundo culinário. A final, chefs e bartenders fazem parte do mundo de seguir ou criar receitas, certo?

Se um chef faz um molho Béarnaise, você acha que ele busca saber como Jules Colette, o chef que criou a receita em Paris no século XIX, fazia seu Béarnaise?
Claro que não. Você reclama quando sua torta de batata vem sem ervilhas por que sua mãe sempre colocava ervilhas? Aposto que não!

Para dar um exemplo do mundo dos coquetéis, vamos olhar para o Cosmopolitan.
Cheryl Cook, a mulher que inventou o coquetel em 1985, fazia com “Absolut Citron, um splash de triple sec, uma gota de Rose’s lime juice e cranberry suficiente para deixar o coquetel ‘bem rosinha.'”

Toby Cecchine e Dale DeGroff modificaram a receita de Cheryl, removeram o Rose’s lime juice e colocaram suco de limão no lugar, ao invés de um triple sec genérico utilizavam Cointreau. Ainda é um Cosmopolitan?

Acredito ser muito importante, quando possível, descobrir como os coqueteis era feitos originalmente. Mas muitos bartenders, acredito, gostam de colocar seu próprio toque pessoal nos clássicos, não entremos em minúcias. Você não adora ir ao Tommy’s tomar uma Margarita por que eles tem sua própria versão especial dela? E continua sendo uma Margarita, não é mesmo?

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Divirtam-se.
Saúde!

PS: Adoro uma Blue Margarita.😉