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TREM BÃO

TREM BÃO

Há quatro semanas atrás eu tive a oportunidade de participar de um dos concursos de coquetelaria mais brasileiro que já participei, o Arte da Cachaça promovido pela Cachaça Leblon.

Um campeonato que se porpôs a valorizar a cultura etílica nacional: suas tradições, histórias e técnicas.

A etapa de pré-seleção para o concurso tinha o tema “O País da Caipirinha”.

Cada bartender criou uma receita de caipirinha inspirado pelas histórias, tradições e técninas da caipirinha tradicional.

Mais cedo neste ano tive a oportunidade de participar de um guest bartending promovido também pela Leblon e no dia reproduzi o Uai Tai, do grande Tony Harion.

As notas de envelhecimento da Leblon Signature Merlet são muito marcantes, com bastante sabor de frutas secas, devido ao envelhecimento em barris de Cognac, sem perder as notas típicas da Cachaça.

Esta complexidade de sabores combina muito bem com notas amendoadas presentes no Orgeat de castanha do Pará do Uai Tai.

Da mesma maneira as notas de “cognac” presentes na cachaça me remetem à combinação presente no Japanese Cocktail.

Podemos resumir à caipirinha em alguns componentes básicos: Cítrico macerado, Cachaça de qualidade, contraste entre cítrico e doce, montada direta no copo em que será servida.

Inspirado ainda nas tradições de consumo da caipirinha, sempre acompanhada por algum prato ou petisco me voltei para o clássico mix de castanhas com uvas passas.

As notas amendoadas já vimos que funcionam muito bem com a Signature Merlet, o grande pulo foi realçar as notas de fruta seca emprestadas pelo carvalho francês com as uvas passas.

Uma outra inspiração foi a utilização de outros cítrico que não o limão tahiti para o preparo da caipirinha. Este outro cítrico, em geral, é utilizado segundo a disponibilidade no momento em que se vai preparar a caipirinha. Tem lima da pérsia em casa? Usa. Ganhou mexirica da tia? Usa. Tava na promoção o limão capeta? Usa, também!

Como setembro/outubro é época de tangerina/mexirica recorri a esta fruta, que tem um toque amargo que remete aos triple sec, uma ultima inspiração foi o Bolero Sour que substitui o triple sec do Between the Sheets por suco de laranja, suavizando a mistura. Desta maneira minha versão reformulada do Uai Tai para o processo e histórias da caipirinha estava pronta.

O nome é uma referência ao Mai Tai que recebe o nome da expressão Mai Tai Roa Ae que significa “muito bom, de outro mundo”.

TREM BÃO

1/2 tangerina
30 mL xarope de castanhas*
30 mL suco de limão
60 mL Leblon Signature Merlet
1 ramo de hortelã

Macere a tangerina com o xarope. Adicione os outro ingredientes. Complete o copo com gelo quebrado. Misture, adicione a hortelã e sirva.

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A etapa final do concurso consistia em “simplismente” criar o novo clássico da coquetelaria brasileira.

Quais são os clássicos da coquetelaria brasileira?
Caipirinha, Bombeirinho & Rabo de Galo são os grandes pilares.

Em um lado temos os coqueteis frutados e do outro os aromáticos.
Numa época de alto consumo de coqueteis mais secos, menos frutados e com um pé no amargor me parece sensato rumar para uma pegada mais “rabo de galo”.

Desta vez quem vem ao socorro é a Fórmula de Ouro.

Olhando melhor para as maneiras de preparo do Rabo de Galo temos três principais variantes:

  1. “Clássico”: Cachaça com Vermute  doce(& bitters, pq não);
  2. Little Italy-Style: Cachaça com Vermute  doce e Cynar (ou outro amaro no lugar do bitter);
  3. Versão SP: Cachaça com Cynar.

Como já havia utilizado a Leblon Signature Merlet na etapa anterior resolvi por valorizar a Leblon branquinha.

Como cachaça tende a ter um sabor mais doce resolvi tambem utilizar um vermute seco e adicionar complexidade ao coquetel com um toque de um licor com notas de especiarias, fazendo com que o Cynar ganhasse uma complexidade de bitter aromático.

Esta verdadeira apoteose ao grande clássico dos botecos (do grego, apothéke) foi batizado de Apotekose.

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APOTEKOSE

75mL Leblon

25mL Martini Dry

15mL Cynar

5mL Benedictine

Adicione os ingredientes em um copo com gelo e misture brevemente, como nos botecos.

De maneira alternativa, mexa os ingredientes e coe para copo com gelo, como nos grandes bares.

Enfeite com casca de limão siciliano.

SAÚDE!

P.S: Parabéns ao Marco de LaRoche por organizar este concurso tão brasileirinho e ao Caio por ter levado o primeiro lugar.

*Xarope de Castanhas
1 copo de castanhas mistas (castanha-do-pará, amêndoas, avelã, macadâmia & noz)
1 copo de uva passas
1 copo de açúcar
2 copos de água.

Embeba as castanhas por 8h e drene.
Bata no liquidificador as castanhas com a água e as uvas passas.
Coe e misture com o açúcar.
Manter refrigerado.
Valido por 7 dias.