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O Moscow Mule é um coquetel clássico criado nos anos 1950 e o responsável pela “febre da Vodka”, tornando-a o destilado mais consumido nos Estados Unidos.

Além disso é um dos responsáveis pelo aumento do consumo de coquetéis no Brasil. Contudo, sua versão brasileira difere brevemente do tradicional Vodka e Ginger Beer.

O Moscow Mule no Brasil começa no extinto MyNy bar em 2011 e continua no Brasserie des Artes com o bartender Marcelo Serrano.

Devido à indisponibilidade do refrigerante de gengibre (Ginger Beer), Serrano resolveu por finalizar o coquetel com uma espuma de gengibre. O resto é história.

Fato é que a espuma agora é parte integral do coquetel e negar isto é negar a história da coquetelaria brasileira. “Isso aqui. é coisa nossa!”

Entender um clássico é, além de entender suas definições e precisões, entender seu contexto cultural.

Um excelente exemplo é o Brandy Old Fashioned. Esta variante do Old Fashioned macerado, que tanto foi negado pelos bartenders americanos nos anos 2000, é parte do acervo cultural do estado de Wisconsin. Honrar esta cultura e aceitá-la é parte de um bom serviço de bar.

Outro exemplo de um clássico com “dupla interpretação” é o White Lady. Embora a versão clássica leve clara de ovo, os bartenders japoneses não a utilizam por convicção de que este não é um ingrediente do coquetel. Certos ou não este é um coquetel clássico que na cultura japonesa é feito sem clara de ovo.

O discurso não é de certo ou errado, mas sim sobre a aceitação dos costumes de um povo.

Voltando ao Moscow Mule, temos um Highball à base de Vodka, Ginger beer, limão e espuma de gengibre, servido numa caneca.

1. DEFINIÇÃO:

A definição de um Moscow Mule é:

1. Vodka;

2. Ginger Beer;

3. limão;

4. espuma de gengibre;

5. servido numa caneca.

 

2. INGREDIENTES:

1.Vodka: Uma boa vodka, destilados de qualidade sempre;

2. Ginger Beer: é um refrigerante de gengibre de sabor marcante que evidencia a picância da raíz.

Embora o nome remeta a cerveja este produto não leva malte, nem lúpulo. Logo, malte e lúpulo não são ingredientes de um Moscow Mule.

Todo refrigerante pode ser preparado de três maneiras:

  • Xarope + Soda;
  • Carbonatação forçada;
  • Fermentação.

Cada uma das três maneiras acima tem seus prós e contras.

Aumentando a polêmica, porém, bares de NYC, como Pegu Club e PDT, costumam fazer suas versões caseiras não carbonatadas e não finalizam o coquetel com soda, resultando em um coquetel sem gás. Esta prática apoia-se no fato de que muitas Ginger Beer industriais pecam no excesso de açúcar e na falta da picância do gengibre. A falta da carbonatação é suplantada pela picância da raíz.

Ainda assim é experado de um Moscow Mule alguma carbonatação.

 

 

3. limão: suco de limão fresco;

4. espuma de gengibre: Estas espumas são feitas em sifão de chantilly com gás de oxido nitroso.

Uma boa espuma de coquetel acompanha a bebida a cada gole  e dura até o final do consumo.

Existem diversos emulsificantes possíveis, cada um com seus prós e contras.

Estas espumas são bem diferentes das espumas criadas com clara de ovo para coquetéis como o Pisco Sour e levam uma quantidade pelo menos 10 vezes menor de clara de ovo, considerando que esta seja a escolha de emulsificante.

Caso você nunca tenha utilizado um sifão de chantilly peça ajuda a um bartender mais experiente e leia as intruções de segurança do produto.

5. servido em caneca: tradicionalmente servido em uma caneca de cobre. As canecas metálicas propiciam uma condensação externa e gastam menos da energia do gelo para resfriar o copo do que o vidro, por exemplo, gerando um coquetel mais gelado por mais tempo.

3. Receita:

Como podemos ver, mesmo dentro de bares referências este coquetel apresenta pequenas variações. Apresento abaixo uma receita genérica para um Moscow Mule no melhor estilo brasileiro

Em uma caneca metálica com gelo adicione:

60mL Vodka

       15mL suco de limão

100mL Ginger Beer

Espuma de gengibre (~50mL).

Sirva com orgulho e um sorriso.

Saúde!

 

 

 

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